Tênis de Mesa

A prática do esporte no Brasil teve início com turistas ingleses que, em 1905, começaram a implantá-lo no país. As atividades públicas ocorreram em 1912, quando foi disputado o primeiro campeonato por equipes na cidade de São Paulo. Em 1947, graças ao esforço de De Vicenzi, o Brasil participou do 3º Campeonato Sul-Americano e, a partir de então, a participação do Tênis de Mesa Brasileiro nos Mundiais vem intensificando o intercâmbio internacional.

Hoje
Atualmente, através da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, este esporte está organizado em todos os estados do Brasil, que congregam mais de 20.000 atletas.
O Tênis de Mesa brasileiro é detentor de uma longa hegemonia na América do Sul e na América Latina. O atleta de maior destaque do Brasil no momento é Hugo Hoyama, que possui oito medalhas de ouro na história dos Jogos Pan-Americanos. Hoyama teve uma fantástica atuação nos Jogos Olímpicos de Atlanta, quando eliminou o campeão mundial Jorgen Persson (Suécia) e ficou entre os 16 melhores. Outro atleta com uma espetacular performance foi Claúdio Kano. Recordista de todos os esportes em número de medalhas conquistadas em jogos Pan-Americanos (12 ao todo, sendo 7 de ouro), Cláudio faleceu em um trágico acidente de motocicleta em 1996.
Dicas - Hugo Hoyama
"Colocar sempre objetivos e treinar para poder alcançá-los", esta é a dica de Hugo Hoyama para quem está iniciando o tênis de mesa. Para ele, o Brasil deveria seguir de exemplo de países, como o Japão, Alemanha, França, devido a disciplina e organização. Desde 26 de outubro, Hugo Hoyama foi eleito vice-presidente da da Federação Paulista de Tênis de Mesa (FPTM). Para os próximos quatro anos, Hoyama tem como meta continuar valorizando sempre o atleta. "Posso ajudar em muita coisa, como organização, já que tenho muita experiência em torneios internacionais. Quero fazer um trabalho sério", afirma.
Saiba um pouco mais sobre as regras

Regras
As regras de jogos são discutidas e reexaminadas a cada dois anos, em congressos, durante os campeonatos mundiais.

Partida
- Constitui-se de sets de 11 pontos. Pode ser jogada em qualquer número de sets ímpares (um, três, cinco, sete, nove...). No caso de empate em 10 pontos, o vencedor será o que fizer 2 pontos consecutivos primeiro;
- Na partida quando houver "negra" (1 a 1), (2 a 2) ou (3 a 3) , os atletas devem mudar de lado logo que o atleta consiga 05 pontos.
Saque
- Cada atleta tem direito a dois saques, mudando sempre quando a soma dos pontos seja dois ou seus múltiplos;
- Com o placar 10x10, a seqüência de sacar e receber deve ser a mesma, mas cada atleta deve produzir somente um saque até o final do jogo;
- O sacador deverá sacar de forma que o adversário possa ver a bola desde que a bola sai da mão até ser batida com raquete.

Um ponto
A não ser que a partida sofra obstrução (não vale ponto), um atleta perde um ponto quando:
- Errar o saque;
- Errar a resposta;
- Tocar na bola duas vezes consecutivas;
- A bola tocar em seu campo duas vezes consecutivas;
- Bater com o lado de madeira da raquete;
- Movimentar a mesa de jogo;
- Ele ou a raquete tocar a rede ou seus suportes;
- A mão livre (que não está segurando a raquete) tocar a superfície da mesa durante a seqüência.


Termos:

• Redinha - Ocorre quando um jogador rebate a bola e esta raspa na rede antes de atingir a área de jogo do adversário. Quando a bola toca na rede após o saque, diz-se que o "saque queimou" e o sacador repete o saque sem perda de ponto. Quando a "redinha" ocorre durante uma disputa, o ponto não deve ser interrompido.

• Casquinha- Ocorre quando uma bola bate na quina da mesa, sendo considerada "bola dentro". A menos que ela bata "fora da superfície de jogo", neste caso, ela é considerada fora.

• Tempo técnico ou time out - Durante uma partida de tênis de mesa, o jogador ou seu técnico tem o direito de solicitar um tempo técnico de um minuto no decorrer de qualquer set. Este tempo é adicional ao tempo que cada jogador tem entre os intervalos do set.

• Cola - A cola é a substância que sustenta a borracha na raquete. Existem diferentes tipos de cola de acordo com a necessidade de cada jogador. Em competições internacionais, algumas raquetes são escolhidas aleatoriamente para identificar o uso de substâncias não permitidas.

• Borracha lisa ou pino interno - A borracha é colada na esponja de forma que o lado "poroso" da borracha seja interno em contato com a esponja. Como há maior superfície de contato, a borracha lisa permite maior quantidade de efeitona bola.

• Borracha pino ou pino externo - Diz-se que a borracha é pino quando o lado poroso desta localiza externamente e a parte lisa da borracha fique em contato com a esponja. Como há menor superfície de contato, o pino gera menos efeito na bola.

• Esponja - É a camada que separa a borracha da raquete. Há diferentes tipos e espessuras de esponjas. Geralmente as esponjas mais grossas permitem maior força, mas menos controle que as esponjasmais finas.

Equipamentos necessários:

Bola -
Feita de celulóide ou plástico similar, nas cores branca ou laranja e fosca, pesar 2,7g e ter diâmetro de 40mm.


Raquete

1 - A raquete pode ser de qualquer tamanho, forma ou peso e constituída de madeira natural em 85% do material;
2 - O lado usado para bater na bola deve ser coberto com borracha com pinos para fora tendo uma espessura máxima de 2mm, ou por uma borracha "sanduíche" com pinos para fora ou para dentro, tendo uma espessura máxima de 4mm;
3 - O lado não usado para bater na bola deve ser manchado de cor diferente da borracha e só deve ser vermelho vivo ou preto;
4 - A raquete tem que ter duas cores diferentes, para ser usada, e essas cores só podem ser, preto e vermelho vivo;
5 - Não é permitido jogar com o lado de madeira.


Vestimenta
Camisa, shorts e saias podem ser de qualquer cor exceto que, quando uma bola branca está em uso somente gola e as mangas da camisa podem ser brancas, e, quando uma bola laranja está em uso, somente àquelas partes podem ser de cor laranja.
 

Destaque - Entrevista

Um exemplo de perseverança: Hugo Hoyama

Desde criança, o mesa-tenista Hugo Hoyama dedica-se intensivamente ao tênis de mesa. Aos 35 anos, o recordista de medalhas (oito de ouro) em Jogos Pan-Americanos, hexa-campeão Latino-Americano e tetra-campeão Sul-Americano, já foi patrocinado por grandes nomes, como Banco do Brasil, Bliss e Vasco da Gama. O talento do mesa-tenista, cujo bom ataque chega a 160 km/h, foi descoberto pelo técnico Maurício Kobayashi. Aos sete anos, sob a supervisão do técnico, treinou diariamente oito horas seguidas, por quase 17 anos. Hugo Hoyama fez parte do grupo que Maurício colocou como meta atingir o nível internacional. No dia em que resolver aposentar a raquete, a certeza é que ficará dentro do meio esportivo. "Por enquanto, não me preocupo em pensar como irei sobreviver daqui a dez anos. Quero viver o agora", enfatiza Hoyama, atual vice-presidente da Federação Paulista de Tênis de Mesa (FPTM).
Confira a entrevista do NJ com o mesa-tenista Hugo Hoyama:

NJ - O que aconteceu de mais importante no esporte?
Hugo Hoyama -
O mais gratificante até hoje no tênis de mesa foi ter dado todas essas alegrias aos meus pais. Não existe alegria maior de ver aquelas pessoas que te apóiam desde pequeno, que amam você, contentes.

NJ - A sua infância e adolescência foram marcadas pelos rigorosos treinos do técnico Maurício Kobayashi. O que lembra daquela época?
Hugo Hoyama -
Não podia perder, deixar o adversário fazer mais de dez pontos, senão o Maurício dava castigo. Os mais cruéis eram fazer mil movimentos na frente do espelho e correr 10 quilômetros por ter perdido o torneio. Mas tudo isso me ajudou para que futuramente eu me tornasse campeão.

NJ - Como você lida com as críticas no meio esportivo?
Hugo Hoyama -
Não tenho que provar nada, o que já ganhei até hoje pelo Brasil poucos conseguiram. Alguns acham que nem sirvo para a seleção brasileira. Isso são coisas que até me motivam para lutar mais e trazer títulos, principalmente para os que torcem para mim.

NJ - Quais foram os momentos mais difíceis no esporte?
Hugo Hoyama -
Enfrentei momentos críticos ao menos duas vezes: em 1996, quando fiquei em 9º lugar na Olimpíada de Atlanta. Com esse resultado fui convidado a jogar por um clube na Suécia e não correspondi às expectativas de todos, e principalmente às minha. Outro foi em 2001, quando machuquei o tornozelo, pulso e ombro. Fiquei quatro meses sem poder treinar normalmente, um ano sem disputar torneios internacionais e caí no ranking mundial. Estava em 72º lugar em julho de 2001, e um ano depois, em 112º lugar.

NJ - A vida de qualquer atleta de ponta requer sacrifícios. Você se arrepende de ter sacrificado a vida particular?
Hugo Hoyama -
Se saio e fico até 4 horas da manhã, são dois ou três dias cansado. Por isso, evito o máximo para poder treinar bem no dia seguinte. Valeu a pena, não invejo a molecada. Afinal, deixei muitas vezes de sair para estar aqui hoje e jogar a quarta Olimpíada. Tenho certeza que 90% dos atletas perderam muito de sua adolescência para vencer no esporte.

NJ - Pratica outros esportes?
Hugo Hoyama -
Gosto de tênis de campo e futebol, mas jogo pouco para me poupar, já que é perigoso me machucar.

NJ - Até quando pretende jogar tênis de mesa?
Hugo Hoyama -
Pretendo treinar firme até 2007, ano dos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro. Quero tentar superar o recorde do Gustavo Borges (o nadador está empatado com Hugo em oito medalhas de ouro).


Agradecimentos:

• Hugo Hoyama - www.hugohoyama.com.br
Cristina Akiko Iizuka
CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa) - www.cbtm.org.br
FPTM (Federação Paulista de Tênis de Mesa) - www.fptm.com.br
Mazinho - www.tenisdemesa.com.br
(Texto Kelly Nagaoka/ NB - Fotos: 1,2 e 4 Arquivo Pessoal 3 Ilustração: Nelson Vasconcelos/NB)

 

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