Quem
optou pela volta ao país de origem não poderá
retornar ao Japão para trabalhar por três anos
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Terminou no
dia 5 de março de 2010 a ajuda do governo de 300 mil ienes (R$
6 mil) para que os trabalhadores e suas famílias retornassem ao
país de origem. Criada pelo Ministério do Trabalho, Saúde
e Bem-estar Social durante o governo do primeiro-ministro Taro Aso, a
ajuda (kikoku shien jigyoo, em japonês) beneficiou mais de 18 mil
estrangeiros, dentre eles cerca de 17 mil brasileiros.O benefício
custou mais de 5 bilhões de ienes (R$ 100 milhões) aos cofres
japoneses e fez parte de um pacote de medidas anunciado pelo governo no
final do ano fiscal de 2008.
O desemprego
e a falta de perspectivas em continuar trabalhando no Japão levaram
esses brasileiros a retornar à terra natal sem saber se vão
conseguir voltar ao arquipélago, caso os planos não deem
certo no Brasil. M., morador de Shizuoka que não quis se identificar,
é um desses casos. Após duas décadas trabalhando
no Japão, das quais metade em Toyama (Toyama) e o restante em Hamamatsu
(Shizuoka), o paulista de mais de 60 anos de idade não encontra
trabalho fixo e vive do dinheiro do seguro-desemprego que vai vencer daqui
a dois meses. Seus familiares já retornaram ao Brasil.
Para
mim, o Japão acabou, reconhece ele, um dos poucos brasileiros
a comparecer na Hello Work, agência pública de emprego de
Hamamatsu, onde eram feitas as solicitações do auxílio,
no dia 26 de fevereiro. Vou e não pretendo voltar ao Japão,
porque na minha idade não acho mais emprego, diz. Minha
dúvida é saber se eu terei de devolver esses 300 mil algum
dia. Vim também para esclarecer essa dúvida. Ele ficou
aliviado ao saber que não precisaria fazer a devolução.
Cheguei
ao Japão em 1990. Era uma boa época, mas desde então
o país ficou mal economicamente e agora piorou. O jeito é
ir embora mesmo, lamenta. Meu último salário
foi de 1.200 ienes/ hora (R$ 24), muito bom, levando em conta a minha
idade e a época ruim. Mas fui demitido há sete meses e meu
seguro desemprego também vai vencer. Não quero viver de
arubaito (bico), gostaria de um emprego fixo, pois economizei, paguei
impostos e não sobrou nada, afirma.
Não
somente o desemprego preocupa M., mas também sua aposentadoria.
No Brasil trabalhei com carteira registrada durante dez anos. E
aqui paguei a previdência do Japão durante oito anos. Como
fica a minha aposentadoria? Será que poderei me aposentar tranquilo
no Brasil?, questiona.
Família
desempregada
Já
Letícia Suyama, 26, moradora de Toyota (Aichi), é casada
e tem dois filhos pequenos de 4 e 2 anos. Ela e o marido gostariam de
ficar no Japão por mais tempo e juntar o dinheiro da passagem,
mas, como estão desempregados, o casal deu entrada no pedido do
auxílio para retorno poucos dias antes do encerramento. Meu
marido, de 32 anos, está há 15 anos no Japão e eu,
há sete. Depois que tive minha filha mais nova, parei de trabalhar
para cuidar das crianças. Meu esposo ficou desempregado em outubro
de 2008. Embora saiba ler e escrever em japonês, não está
conseguindo emprego, relata a brasileira.
Segundo Letícia,
o casal ouviu na Hello Work que não havia vagas nem para japoneses.
Se não houvesse essa data limite (5 de março) para
a ajuda terminar, tentaríamos ficar mais um pouco para juntar o
dinheiro das passagens, conta. Se a economia e os empregos melhorarem,
eles gostariam de voltar a trabalhar no Japão novamente.
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O auxílio
para retorno (kikoku shien jigyoo) foi anunciado em 31 de março
de 2009 e entrou em vigor no dia 1° de abril. Os interessados deveriam
comparecer às Agências Públicas de Emprego (Hello
Work) para entrar com o pedido da ajuda. Cada requerente poderia receber
300 mil ienes (R$ 6 mil) e mais 200 mil ienes (R$ 4 mil) por dependente.
No entanto, quem lançasse mão da medida teria de ficar três
anos sem retornar ao Japão. No final de abril, o ministro brasileiro
do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, enviou carta ao Ministério
da Saúde, Trabalho e Bem-estar Social do Japão, por meio
da embaixada japonesa em Brasília, protestando contra a medida
e pedindo sua revogação.
A resposta
veio no dia 19 de maio. O ministério das Relações
Exteriores do Japão convocou uma coletiva para explicar a medida.
Nela, Yasuhisa Kawamura, vice-secretário de Imprensa do ministério,
explicou que a ajuda fazia parte de um pacote que incluía várias
medidas de apoio aos estrangeiros.
Hiroshi Fukuda,
diretor-geral do Departamento de Assuntos Consulares, disse que a pressa
em passar o conteúdo da medida teria provocado falhas no anúncio,
uma vez que todos os detalhes ainda não estavam a mão. Na
pressa de ajudar, ainda não havíamos definido se os beneficiados
poderiam voltar dentro de um, dois ou três anos, informou
Fukuda na ocasião. O prazo de três anos para a volta
ao Japão é apenas uma estimativa. Se a economia melhorar
antes, a proibição de voltar acaba mais cedo. Mas se demorar
mais, é provável que aconteça o mesmo com a reentrada
dos beneficiados, explicou o diretor. Segundo ele, quem conseguir
um contrato com uma empresa pode retornar com visto de trabalho. A decisão
de extinguir o benefício veio com a ascensão ao poder do
primeiro ministro, Yukio Hatoyama.
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