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Brasileiro acusa entidade pública de discriminação
Paranaense diz que atendente da Hello Work o aconselhou até a voltar para o Brasil
 

Brasileiro procurou nova unidade
da agência, mas não foi atendido

(Reportagem: Osny Arashiro/IPC | Foto: Kyodo)

“Amigos me doam 20 quilos de arroz por mês, então compro ovos, tsukemono (conservas) ou outra mistura e vou vivendo.” Assim descreve como sobrevive no Japão o paranaense P.Y.N., 60, que diz contar com apenas 500 ienes (menos de R$ 10) para suas despesas. Após 20 anos no país, ele se sente discriminado por ser estrangeiro, pela idade e pelo mau atendimento na Agência Pública de Emprego (Hello Work) de Hamakita, em Hamamatsu (Shizuoka).

Para quem não acredita em sua penúria, P.Y.N. mostra a caderneta do banco com o saldo de apenas 1.167 ienes (R$ 23). O brasileiro comemorou a abertura da nova agência, pois mora a apenas 300 metros de distância dela e economizaria os 660 ienes (R$ 13) de trem que gastaria para ir à unidade do bairro Asada. Mas, em Hamakita, foi dispensado pelo atendente, pois o local era destinado apenas para os japoneses. “Mas se eu sei falar o idioma, por que não posso ser atendido aqui?”, protestou.

O brasileiro dirigiu-se então a Asada, em visita acompanhada pelo International Press. Reclamou do atendimento em Hamakita, mas o atendente não se interessou pelo caso. Em seguida, foi informado de que havia uma oferta de emprego de 800 ienes (R$ 15,80) por hora para limpeza de instrumentos musicais na região em que residia. O atendente telefonou para a empresa, mas a resposta foi a mesma que muitos brasileiros recebem: “Burajirujin wa dame da” (“brasileiros, não”). “O que me causa indignação é o fato de existir emprego, mas o empregador não admitir estrangeiros por puro preconceito”, lamenta.

Sem perder o ânimo, P.Y.N. decidiu passar novamente na Hello Work de Hamakita. Foi informado outra vez de que o atendimento para estrangeiros fica em Asada. A atendente o recebeu, mas insistiu que não havia vaga para não japoneses. Outro atendente ainda aconselhou seu retorno ao Brasil.

A unidade contava com um intérprete de português, mas o objetivo era apenas atender os que precisavam do auxílio de retorno ao país de origem.

Com 58 carimbos em sua ficha registrando suas passagens pela Hello Work desde que perdeu o emprego em abril de 2009, P.Y.N. pretende continuar indo à unidade de Hamakita. “Se os computadores são interligados, por que devo pegar o trem e ir até Asada?”, reclama.

O brasileiro já conseguiu dois arubaito (bico) para limpeza na beira do rio Tenryu e do lago Hamanako, pelos quais ganhou diária de 9 mil ienes (R$ 176). Mas depois disso não obteve outros postos, pois a Hello Work alega que existe um rodízio para vagas emergenciais.

Para sobreviver, P.Y.N. vendeu seu carro, um mini Pajero, por 150 mil ienes (R$ 2.930) e pagou as contas de luz e água e os aluguéis atrasados. Depois, vendeu seu computador por 50 mil ienes (R$ 976). Passou a viver então apenas com as parcelas do seguro-desemprego, de cerca de 100 mil ienes mensais (R$ 1. 953). Mas o aluguel de 45 mil ienes (R$ 879) e as despesas de casa obrigam-no a se alimentar com 500 ienes por dia.

A última parcela do seguro venceu no dia 10 de março de 2010. Mesmo sem dinheiro, ele não perde a esperança. Por isso, comprou uma cartela da loteria e ganhou 11 mil (R$ 215). “É pouco, mas dá para o gasto”, diz. Graças ao prêmio, vai poder viver com mil ienes (R$ 20) por dia – nem que seja por pouco tempo.

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